Visualização cartográfica, de acordo com Hallisey (2005), não é o mesmo que Análise Espacial de Dados. Para a autora, apesar das diferenças serem sutis, a visualização é mais direcionada a uma exploração visual enquanto a análise espacial busca respostas, na maioria das vezes, com apoio da matemática e da estatística. Ambas, entretanto, se apoiam na computação.
Para exemplificar a importância da exploração visual, Hallisey (2005) cita os estudos da distribuição de tornados em áreas urbanas e rurais feitos por geógrafos, climatologistas, meterologistas e outros ao longo da história. Até há algum tempo, os tornados eram registrados por observação direta. As áreas urbanas, mais populosas, consequentemente possuiam mais registros de tornados que as áreas rurais. À medida que as populações rurais cresciam, aumentavam os registros de tornados nas suas áreas, mas isso não significa que as ocorrências aumentavam. Significa apenas que havia mais gente para registrá-los. Isso foi percebido através da projeção em um mapa do cruzamento das ocorrências de tornados com as densidades populacionais.
Mesmo que essa relação pudesse ter sido encontrada através de algum algoritmo computacional, aqui isso aconteceu através visualização cartográfica, ou seja, a partir da análise visual, que complementa as informações textuais ou matemáticas. A visualização cartográfica tem como objetivo, portanto, “a compreensão das informações e do conhecimento espacial através da apresentação visual interativa” (Hallisey, 2005, p.353, tradução nossa).
REFERÊNCIA:
HALLISEY, Elaine J.. Cartographic Visualization: An Assessement and Epistemological Review. The Professional Geographer, v. 57, n. 3, p.350-364, ago. 2005.
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Com o surgimento do Google Maps, a incorporação dos GPSs nos celulares, a oferta de aparelhos também de GPS para os carros e algumas coisas mais, o uso de mapas se tornou popular. Buddy Kite, editor assistente da Esquire, elaborou para o site da revista uma lista de usos inovadores dos mapas na Web. Combinando teorias, técnicas e estética, os mapas são usados por desde epidemiologistas procurando informações sobre como uma doença infecciosa se espalha (ver o Mapa da Influenza A - H1N1) até por analistas de marketing buscando os melhores locais para colocarem seus anúncios. Além de informar localizações e dar visibilidade às rotas, os mapas permitem a descoberta de padrões e relações escondidas nos dados espaciais.
Mas Kite nos prepara para uma nova revolução: muitas das informações que dão origem aos mapas, especialmente aqueles que se referem às pessoas, poderão ser coletadas instantaneamente através dos telefones celulares, GPS e quaisquer outros dispositivos portáteis com recursos wireless. Para isso, ele se apóia nas afirmações de Carlo Ratti, diretor do SENSEable City Laboratory e professor do MIT, que disse que, por a tecnologia estar cada vez menor e mais distribuída pelo ambiente, será possível descrever uma cidade em tempo real.
Mais que oferecer coordenadas de locais diversos ou rotas para esses locais, os mapas permitirão saber quem são as pessoas que estão lá e o que elas fazem. Através das suas interações com os mapas, como as permitidas pelo Google Maps, Kite diz que as pessoas definirão a cidade.
Kite exemplifica sua visão citando o CitySense, um programa para dispositivos portáteis (BlackBerries e iPhones, por enquanto), que mostra um mapa da cidade de São Francisco com a distribuição de pessoas com interesses em comum – a medida em que se movem pela cidade. A representação utilizada é de pequenos quadrados, cujas cores definem as tribos: banqueiros aparecem em verde, metaleiros em vermelho, etc. Esse programa ajuda as pessoas a saberem onde estão desde os congestionamentos do trânsito até as baladas quentes da cidade.
REFERÊNCIA:
KITE, Buddy. KITE, Buddy. Future of Digital Cartography: New mapmaker software. Esquire, 9 dez. 2008. Disponível em: http://www.esquire.com/features/best-and-brightest-2008/best-new-cartographers-1208. Acesso em: 4 jun. 2009.
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Não devemos gastar todo nosso tempo tentando oferecer a experiência perfeita. Essa é a conclusão de Donald Norman (2009) após analisar várias experiências que tiveram momentos ruins, mas são lembradas como prazerosas e, na maioria das vezes, com um desejo de repetição, porque foram, de uma forma geral, boas experiências. Norman cita, por exemplo, o relato de uma mulher que gostaria de voltar à Tailândia, mesmo sabendo que insetos fritos são uma iguaria por lá, existem aranhas anabolizadas a cada esquina e os banheiros são intimidantes.
Mas isso não é novidade. A conclusão de Norman (2009), como ele mesmo explica, já era apontada por Terence Mitchell e Leigh Thompson como o terceiro dos seguintes aspectos das experiências:
- As pessoas tendem a imaginar que os eventos serão mais favoráveis e positivos do que acham que são no momento da sua ocorrência;
- As pessoas tendem a minimizar o prazer dos eventos no momento em que acontecem;
- As pessoas tendem a lembrar dos eventos como mais favoráveis e positivos do que achavam no momento em que eles aconteciam.
A explicação para isso vem da psicologia: os fatos negativos são esquecidos mais rapidamente que os fatos positivos (NORMAN, 2009). Além disso, Norman lembra alguns eventos negativos podem até adquirir uma conotação positiva, quando vistos de outra forma. Por exemplo, uma experiência ruim pode se tornar uma história cômica a ser contada para o resto da vida.
A conclusão dele? Projete para a memória. Faça com que o início e o fim da experiência (lembrados mais facilmente que o meio) sejam perfeitos. Use gatilhos de memória como fotos e souvenirs. Reforce o positivo para ofuscar o negativo.
REFERÊNCIA:
NORMAN, Donald A. Memory is more important than actuality. Interactions, v.16, n.2, p.24-26, mar./abr. 2009.
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