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Comunidades

06/09/2006 · Sem comentários

Um antigo artigo de Katharine Mieszkowski apresentou algumas questões interessantes sobre comunidades virtuais, a partir de entrevistas com Craig Newmark. Considerando que a publicação do artigo, em novembro de 2000, foi anterior ao boom de sites como o Orkut, é possível fazer algumas reflexões sobre o assunto

Em primeiro lugar, Craig diferencia comunidade de multidão. Para ele, comunidade requer interação, intimidade, sentimento e comunicação. Se comunicação for a única característica presente, então trata-se de uma multidão. Comunidade é uma experiência compartilhada. Essa talvez seja uma justificativa para o esvaziamento do Orkut. A coisa lá desandou. Mais lixo nos fóruns do que qualquer outra coisa.

Uma comunidade envolve interesses comuns. Craig afirma que isso é diferente de valores comuns. Ter o mesmo conjunto de valores pode ajudar uma comunidade a se desenvolver, mas não é um requisito. Talvez seja isso que ajuda a expansão do eLLG, uma comunidade específica sobre educação. Num espaço de maior objetividade, talvez a interação entre seus membros seja mais produtiva.

Apesar da tecnologia ser o que viabiliza a criação de comunidades virtuais, para Craig não é nela que está o objetivo final. Uma comunidade é feita por pessoas e para pessoas. Acredito, e espero, que isso permaneça óbvio.

Craig afirma que as melhores comunidades são aquelas úteis. Mas seu entendimento de útil se refere a questões práticas (indicação de restaurantes, divulgação de oportunidades de emprego, busca de apartamentos, etc.) e não as emocionais. Talvez estas surjam no comentário de alguém sobre um restaurante ou ponto turístico da cidade, mas não são o foco principal ( pelo menos da comunidade de Craig). Acho, entretanto, que a interação emocional pode ser um ponto forte das comunidades virtuais, afinal, não é parte disso que se procura com o Design de Experiências?Apenas é necessário que essa interação emocional seja, como sugere Craig, útil.

Finalmente, Craig alerta para os possíveis problemas das comunidades virtuais:

  • Um crescimento exagerado e inesperado pode aumentar muito a necessidade de mais recursos tecnológicos.
  • Da mesma forma que pode crescer rapidamente, uma comunidade pode perder muitos membros na mesma velocidade. Na verdade não seria bem uma perda, mais uma inatividade.
  • É difícil moderar uma comunidade gigantesca (ver caso Orkut nos jornais).

As comunidades virtuais, ou redes sociais, estão aí para ficar, mas nós, trabalhadores e estudantes, não temos mais tempo de visitar ou participar de todas aquelas potencialmente interessantes. Provavelmente permaneceram aquelas que mantenham no seu foco a conexão e o envolvimento dos seus membros.

Tags: Design de experiências

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