O uso de Sondas Culturais (Cultural Probes), uma proposta de Bill Gaver, Tony Dunne e Elena Pacenti, facilita a investigação de aspectos culturais dos usuários, ao mesmo tempo em que evita a interferência de avaliadores.
A idéia é dar aos usuários selecionados para a pesquisa mecanismos para que eles mesmos registrem aspectos de sua vida e da sua relação com a tecnologia. Esses mecanismos podem ser diários, máquinas fotográficas, gravadores de voz, cadernos e outras coisas que ajudam a coletar e/ou apresentar informações: tesouras, colas, cartões postais, mapas, etc. A figura abaixo mostra um desses kits.

http://www.hcibook.com/e3/casestudy/cultural-probes/
Através desse material, o usuário registrará as informações de uma forma relativamente livre, durante um período pré-determinado, normalmente algumas semanas. Essa coleta de informações é feita a partir de orientações dos avaliadores, ou seja, os kits devem ser formalmente apresentados aos participantes.
As sondas culturais são usadas quando é possível ter uma certa informalidade nos dados coletados, assim como tempo suficiente para o processo - especialmente para a etapa de análise dos resultados. Esse resultado não será preciso nem definitivo, pois as sondas culturais buscam “dados inspiracionais”. De acordo com os autores, a intenção é estimular a imaginação ao invés de definir um conjunto de problemas. “Nós não estamos tentando alcançar uma visão objetiva das necessidades dos [usuários] através das sondas, mas ter uma idéia das suas crenças e desejos, suas preferências estéticas e suas preocupações culturais”, dizem eles. A estética é, nesse contexto, mais uma necessidade de prazer do que um luxo e tem a mesma importância que a eficiência ou a usabilidade.
Assim, as sondas não são planejadas para serem analisadas ou na construção de um sumário dos usuários, mas como uma ferramenta de aprendizado que deve refletir no design, isto é, elas afetam indiretamente o design.
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