Saltar para dentro das páginas de um livro, entrar na tela de um filme e render-se ao canto das sereias são metáforas para um estado de imersão no qual esquecemos dos problemas mundanos e nos deixamos envolver pela história à mão. Imersão, de acordo com Janet Murray no livro Hamlet no Holodeck, é um termo derivado da experiência física de estar submerso na água, quando temos a sensação de estarmos completamente envolvidos por uma realidade diferente que se apodera de toda a nossa atenção e de todo o nosso sistema sensorial.
Murray tomou emprestado da psicologia o termo liminar para indicar o limiar entre o mundo externo e real e as fantasias de um transe imersivo. Ela classifica, assim, os computadores como objetos liminares, situados na fronteira entre a realidade externa e a fantasiosa. De uma forma mais geral, a autora considera liminar qualquer objeto que atue como um condutor ou facilitador de um transe imersivo, como é o caso dos joysticks nos jogos digitais.
Para sustentar um transe imersivo, Murray apresenta duas necessidades. A primeira delas é que o mundo real fique “do lado de fora”. Qualquer interrupção, até mesmo para permitir a interação do participante, pode quebrar o transe imersivo. A segunda necessidade é que o nível de excitação seja adequadamente regulado. Ela cita como exemplo que em filmes exageradamente assustadores, as pessoas tendem a virar a cara ou fechar os olhos - quebrando também o transe imersivo. “A excitação deve ser regulada de tal forma que seja suficientemente forte para manter a atração, mas não a ponto de fazer que o expectador se sinta desconfortável”, lembra a autora.
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