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Agência

19/01/2007 · Sem comentários

Janet Murray, no livro Hamlet no Holodeck, chama de agência a capacidade de realizar ações significativas e ver os resultados das decisões e escolhas. Ela diferencia agência de participação colocando que na participação as nossas ações não alteram o resultado. Numa peça de teatro em que os atores convidam a platéia a participar, por exemplo, estas são meros acessórios para algumas piadas. Agência também não deve ser confundida com interatividade, mas depende dela.

Uma forma de agência nos ambientes digitais apresentada por Murray é a navegação espacial, que aparece tanto nos jogos quanto nos hipertextos. Mover-se por vontade própria por esses espaços é uma atividade, de acordo com ela, intrinsecamente prazerosa, devido à natureza exploratória do ser humano. Nos jogos, o espaço navegável á apresentado através de um labirinto. Nesse labirinto pode ser criado um mapa esquemático para se contar uma história. A cada local pré-definido pelo qual o jogador passar, eventos serão disparados. O controle da ativação desses eventos, para evitar estragar a história (contar o fim, por exemplo), pode ser feito através do bloqueio condicional de determinadas áreas do labirinto ou simplesmente através da suspensão também condicional do gatilho do evento.

Já nos hipertextos, o espaço navegável é entendido como o conjunto interconectado de textos. Essas conexões, ou caminhos, são estabelecidas através de palavras de ligação. Aqui, o leitor determina o tempo de leitura e os caminhos que deseja seguir, mas ele também deve lidar com a ansiedade de não encontrar o caminho mais curto e de não conseguir esgotar todos os textos para leitura.

Uma outra forma de agência apresentada por Murray é a solução de quebra-cabeças. Muito comuns nos jogos e nas ficções interativas, os quebra-cabeças são desafios lógicos, cuja solução libera o acesso a outros elementos ou espaços do programa. O prazer para o participante reside, na maioria das vezes, na auto-afirmação - provar que é capaz de vencer tais desafios.

O combate e a socialização são outras formas de agência citadas pela autora, que se apóiam em duas necessidades sociais básicas das pessoas - colaboração e competição. Esse tipo de agência aparece também tanto nos jogos quanto nos hipertextos, mas de uma forma diferente. Nos jogos, aparece em ambientes multiusuário como os novos MMOG (Massive Multiplayer Online Game) e nos hipertextos, aparece quando damos espaço para comentários, avaliações e sugestões dos leitores.

Murray lembra apenas que, mesmo que a participação ativa dos leitores e/ou jogadores determine a seqüência de eventos e, assim, cada um desenvolva uma história particular, isso não se trata da autoria, mas de agência. A autoria é reservada às pessoas que escreveram todas as alternativas de história assim como as regras para a agência dos participantes.

Tags: Entretenimento digital · Hipermídia · Interatividade · Jogos digitais · Processo narrativo

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