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Drama interativo

22/01/2007 · Sem comentários

Nicholas Szilas, no artigo The future of interactive drama, discute as raízes e uma direção provável para os dramas interativos (ou narrativas interativas). Um drama interativo é, de uma forma simplificada, uma história em que o leitor realmente pode influenciar os fatos e eventos.

No passado, os dramas interativos eram apenas histórias ramificadas, em que o leitor determinava os caminhos a seguir. Alguns desses caminhos só eram liberados se determinadas condições pré-estabelecidas fossem satisfeitas. Com o avanço tecnológico e das pesquisas em inteligência artificial, os dramas interativos ganharam personagens inteligentes - que reagem às mudanças no ambiente e as ações das demais personagens (inclusive do leitor).

O problema apontado pelo autor é que essas novas versões dos dramas interativos ainda não passaram da fase de protótipos e talvez seja necessário percorrer um longo caminho até que “best sellers” interativos sejam produzidos. Três desafios, de acordo com Szilas, devem ser vencidos para isso.

O primeiro desafio é criar uma arquitetura em que a tensão narrativa seja mantida, pois um drama não acontece apenas colocando-se várias personagens, mesmo que inteligentes, em contato. Ele requer uma estrutura, uma trama. A arquitetura proposta por Szilas contém um gerenciador de tramas que coordena alguns agentes inteligentes que representam as personagens. A cada passo ou etapa, o gerenciador de tramas apresenta a esses agentes inteligentes uma lista de ações possíveis, que são interessantes à trama programada. Cada agente atribui, de acordo com seus valores e motivações (também programados), uma pontuação às ações que julgar aceitáveis. Com base nessas pontuações e nos critérios da narrativa, o gerenciador de tramas escolhe a ação que deve ser executada por cada agente.

Como é possível perceber, essa arquitetura pede o trabalho conjunto de programadores e de escritores. E esse é justamente o segundo desafio. Não basta ter um bom programador e um bom escritor, é necessário ter um bom programador que entenda do processo narrativo e um bom escritor que entenda de programação. Não se trata de fazer arte ou fazer tecnologia, afirma Szilas, trata-se de fazer arte e tecnologia simultaneamente.

O terceiro e último desafio a ser vencido, apontado pelo autor, é achar quem financie esses projetos, pois até agora todas as iniciativas são acadêmicas.

Tags: Entretenimento digital · Processo narrativo

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