Imersão, agência e transformação são os três prazeres característicos dos ambientes digitais apontados por Janet Murray no livro Hamlet no Holodeck. Por transformação ela entende tanto as mudanças nos objetos quanto nos processos.
Um exemplo dessas transformações é o das histórias caleidoscópicas – um conjunto de histórias paralelas e simultâneas que giram em torno de um tema principal. Isso é muito comum hoje em séries televisivas como Plantão Médico, em que determinados médicos estão envolvidos com um paciente, enquanto outros cuidam de outro problema, mas sempre há algo que une as duas tramas paralelas. Nos ambientes digitais, o usuário pode pular de uma trama para outra como bem entender. A tela caleidoscópica, afirma a autora, “é capaz de apreender o mundo como ele se apresenta desde diferentes perspectivas – complexo e talvez incompreensível no final das contas, mas ainda assim coerente”.
Nessa mesma linha, aparecem a possibilidade de uma história com vários pontos de vista sobre um evento. O usuário tem o poder de escolher qual ponto de vista deseja seguir, tendo ainda o poder de mudar de um para outro quando desejar.
Outro exemplo de transformação é a metamorfose das histórias. Nas narrativas interativas, as histórias mudam de acordo com as interações com o usuário. Dependendo das escolhas e ações deste, o desenrolar da história pode variar significativamente.
Colocar-se no lugar do personagem é outro tipo de transformação dos ambientes digitais. Nos jogos, o usuário pode ser quem quiser. Ele pode mudar suas roupas, seu corpo e, até mesmo, sua personalidade. Nos chats online também é possível representar alguém idealizado, mas bastante diferente da realidade.
O ambiente, de uma forma geral, também pode ser mudado ou criado, para atenderem às necessidades dos usuários. É tanto o caso da participação em uma recriação de uma batalha da Segunda Guerra Mundial quanto dos tratamentos psicológicos com realidade virtual. O paciente pode, neste último exemplo, ser colocado no alto de uma passarela para tentar vencer seu medo de alturas. A situação não é tão real que ele não teria coragem de enfrentar, nem tão fantasiosa que perdesse a credibilidade.
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