Das minhas leituras

blog.kutova.com

Das minhas leituras header image 2

Os problemas do PowerPoint na sala de aula

14/05/2007 · 9 Comentários

Para muitos professores, talvez a maioria, o uso da informática em sala de aula se restringe ao uso de um software de apresentação, como o PowerPoint® da Microsoft®, ou à solicitação de que os alunos façam pesquisas na Internet usando algum sistema de buscas como o Google®.

Um software de apresentação é talvez uma das ferramentas mais poderosas no computador – ele permite a comunicação de idéias. É simples, fácil de usar, colorido e animado. Mas, como o próprio nome diz, é para uma apresentação. Uma aula é algo bastante diferente de uma apresentação.

O primeiro problema do uso desses softwares em uma aula é a imposição de uma estrutura linear para o conteúdo. Uma vez estabelecida a seqüência em que os tópicos serão apresentados, raramente é possível modificá-la, mesmo que para atender às demandas dos alunos. É comum ver professores falando, diante de alguma pergunta: “aguarde um pouco, isso está nos próximos slides”. E apenas quando está, pois, caso contrário, a dúvida parece não ser relevante.

Além disso, os professores usualmente separam os conteúdos de suas aulas em arquivos distintos. Para cada aula, há um arquivo de apresentação separado. Isso passa a ser um problema quando o professor percebe que não terá tempo para apresentar tudo o que foi planejado e começa a correr com a matéria ou quando ele percebe que os slides estão acabando e ainda falta muito tempo para a aula acabar. O professor fica estressado, a aula fica ruim e o aprendizado dos alunos fica prejudicado.

O software de apresentação, nessas condições, torna-se um tirano. Ele determina o que o professor pode ou não falar, determinando, inclusive, o tempo para isso. Ele é estático, rígido e não aceita atrasos. O pior é que os professores muitas vezes o tornam também o centro das atenções.

Os professores se esquecem que os alunos estão ali para aprender com ele e não com o computador. Apagam as luzes para a projeção seja mais visível, mesmo que eles fiquem invisíveis. Alguns falam virados para a própria projeção reforçando a impressão de o software é quem ensina. Outros deixam seu lado brega vir à tona ao explorarem os inumeráveis recursos de animação disponíveis, como se eles fossem necessários ou suficientes para tornar a aula mais atraente. Chegam a gastar mais tempo pensando nos efeitos visuais do que no conteúdo.

Todos esses problemas, entretanto, podem ser evitados ou resolvidos. Usado de forma correta, o software de apresentação em sala de aula é um recurso poderoso. Mas fazer da aula uma apresentação é regredir ao modelo de professor emissor e aluno receptor que Piaget procurou quebrar.

Tags: Educação

9 respostas até agora ↓

  • 1 Marcos H. Anton - 19/02/2008 às 12:47 pm

    Muito bem abordado o problema do uso do Power Point. É evidente que um aula boa não precisa de Power Point, nem de computador. A forma de abordagem do conteúdo e a maneira como o professor tenta passar e debater as informações é mais importante.

  • 2 Augusto Tavares - 1/05/2008 às 5:13 pm

    Concordo plenamente. Para aprimorar a discussão é importante perceber que, não apenas o professor, mas as instituiçoes de ensino e os alunos estão se tornando dependentes destes recursos, ou seja, diz respeito a características na sociedade “pós-moderna” que tende a um pragmatismo exagerado com prejuízos graves para a uma educação emancipatória.

  • 3 Ranieri Marinho de Souza - 30/06/2008 às 9:49 am

    Muito bom o texto, também sou professor e me custou muito a entender o assunto tratado aqui.

  • 4 Hélio Gianesella - 4/07/2008 às 12:21 am

    Como professor gostaria de registrar alguns fatos que devem ser analisados com bom senso para que não desestimulemos nossos colegas que se iniciam na profissão, ou que estejam pensando em melhorar suas aulas, ou sua comunicação com os alunos, utilizando o Powerpoint.

    Há 36 anos como professor de Física em colégio e cursinho venho, nesse tempo todo, pesquisando técnicas de comunicação e estratégias didáticas, de modo a facilitar o entendimento e a construção do conhecimento por parte de meus alunos.
    Posso falar com propriedade, pois já utilizei todos os recursos que foram surgindo. Desde o
    “episcópio”, o projetor de slide, passando pelo consagrado retroprojetor (que tornava mais dinâmicas as aulas de óptica em que os alunos executavam em suas próprias folhas a construção geométrica das imagens de um objeto, conforme lhes eram apresentadas as propriedades dos raios de luz incidentes em um espelho esférico).

    Trabalho em um grande grupo educacional e dou aula de eletricidade para alunos da 3ª série do ensino médio e pré-vestibulandos.
    Há quatro anos, em todas as minhas aulas do colégio e do cursinho, venho utilizando o Powerpoint durante o desenvolvimento do conteúdo teórico e durante a resolução dos exercícios de fixação, ou seja, o tempo todo.

    A questão é: “Como dinamizar a aula sem torná-la enfadonha e sem pirotecnia desnecessária?”

    A maioria dos utilizadores de Powerpoint, quer sejam palestrantes ou professores, o faz de maneira imprópria e cometem pecados capitais, tais como:
    - excesso ou falta de conteúdo a ser trabalhado (“errar a mão”), o que vai surprendê-lo no desenrolar da aula, fato este que pode acontecer mesmo sem o uso do Powerpoint;
    - excesso de texto nos slides;
    - abuso de animações desnecessárias e repetitivas;
    - excesso de cores nos destaques e títulos;
    - utilização dos modelos de slides sugeridos pelo próprio Powerpoint;
    - utilização de transições de slides animadas, também sugeridas pelo Powerpoint.

    Cada uma de minhas aulas tem duração de 75 min e nesse tempo todo o Powerpoint tem se revelado uma ferramenta extremamente eficaz e dinâmica, pois me permite interagir com o que está sendo apresentado devido ao fato de saber de antemão a seqüência das animações.

    Ao mostrar a animação do salto quântico do elétron; do movimento de uma carga elétrica lançada em um campo magnético uniforme; a interpretação dinâmica de um gráfico; a visualização animada de um campo elétrico devido a um conjunto de cargas, através do surgimento de suas linhas de força; um filme baixado do youtube mostrando um raio atingindo um avião em pleno vôo sem que nada aconteça aos passageiros, o Powerpoint tem ajudado na fixação de conceitos, pois aquilo que era para ser apenas mais uma gravura, ganha vida, aproximando-se da realidade ou mostrando-a.

    Utilizado durante a resolução de exercícios, o Powerpoint é poderoso aliado no processo de interpretação do enunciado, pois permite destacar palavras significativas, importantes conceitos envolvidos, dados e unidades.

    Como utilizo a ferramenta Mathtype (equivalente ao Equation do Word, só que com mais recursos), desenvolvo toda a resolução dos exercícios de maneira animada.
    Assim, ao substituir animadamente as grandezas físicas envolvidas pelos respectivos valores numéricos, o aluno acompanha todo o desenvolvimento e compreende melhor o raciocínio.

    Infelizmente o estudante brasileiro tem mania de estudar somente pela teoria anotada no caderno, ou seja, essa passa a ser sua maior preocupação durante a aula: “anotar a matéria”, deixando, muitas vezes, de prestar atenção ao que o professor está explicando.
    Como anotar então uma aula totalmente animada, todinha em Powerpoint?
    Há aí um processo de aculturamento.

    O tempo de atenção de um aluno ou de um assistente é de 20 min no máximo, após o que qualquer coisa o distrai, mesmo que por poucos segundos.

    Esse é o tempo médio que gasto para explicar um determinado assunto utilizando o Powerpoint, durante o qual os alunos apenas prestam atenção, sem copiar nada.

    Ao término dessa primeira parte entra o “slide resumo” contendo obviamente o resumo do conteúdo explicado. Essa é a hora em que aqueles que quiserem anotar vão poder fazê-lo, caso contrário poderão tirar xerox do original que se encontra na secretaria ou baixar o arquivo de resumos no computador de casa, ou ainda baixá-lo em seu celular.
    Esses quatro ou cinco minutos que dura o processo de cópia me permitem tirar dúvidas individualmente, olhar uma ou outra resolução de exercícios propostos ou então descansar a voz.
    Para eles é o momento da descontração, pois alguns conversam ou ouvem a música que disponibilizo no sistema de som e que faz parte de uma lista pré-elaborada por eles .

    Após isso retomamos a aula, com mais vinte minutos de explanação teórica, mais cinco de cópia e finalizamos com a resolução de exercícios de fixação.
    Nesta última parte eles participam anotando a resolução gradativa.

    O que mais os professores reclamam é da falta de concentração dos alunos em sala de aula, mas com exigir que uma juventude que utiliza um celular, um computador, um ipod, um mp3, baixando programas e músicas, trocando arquivos via bluetooth com outro celular, seja obrigado a assistir (e evetualmente participar) a cinco “apresentações” por dia, onde o “palestrante”, a maior parte do tempo, ainda utiliza a lousa e o giz como ferramenta de auxílio ao processo de comunicação?

    Em outras palavras, ao invés de crucificarmos o Powerpoint, façamos uma análise e estudemos maneiras eficazes de utilizá-lo em sala de aula.

    Grato pela oportunidade!

  • 5 André Bontempo Garcia Lima - 7/08/2008 às 8:58 pm

    Concordo com o mestre Hélio Gianesella, sou aluno dele no COC São José dos Campos e realmente as aulas de física no power point são muito divertidas, dinâmicas e prendem nossa atenção tornando a matéria interessante e até fácil.
    Mas claro também que se não fosse o bom humor e alegre disposição de nosso professor as aulas não serião tão esperadas como elas são por mim e por todos deste colégio
    Um abraço professor…

  • 6 Magno Caiado - 5/10/2008 às 11:10 am

    Concordo com professor Hélio Gianesella, ele tirou as palavras do meu teclado!

  • 7 daniel - 16/10/2008 às 11:26 pm

    gostaria de adquirir aulas de fisica ,qualquer conteudo se voces tiverem essas aulas,podem me enviar?fico muito grato!

  • 8 Ranieri Marinho de Souza - 22/10/2008 às 8:54 am

    Caros, não podemos nos esquecer que existem diferentes disciplinas que requerem uma abordagem diferenciada em cada exposição/experimento. Trabalho muitas aulas em laboratório de informática e percebo que o uso de Power Point é prejudicado, pois não adianta montar uma série de slides se o que está chamando a atenção do aluno é o computador e todas as aplicações inclusas.
    Tornar-se dependente de Power Point em “alguns” casos é prejudicial, pois diminui a interação com os alunos, no entanto concordo com o professor Hélio, devemos trabalhar com bom senso, mas as instituições de ensino poderiam nos auxiliar nisso, pois só giz e lousa soa reacionário.

    Abraçs

  • 9 Raquel Eduardo - 9/11/2008 às 8:07 pm

    O uso das novas ferramentas pode ser bem usadas quando você passa a usá-las com critérios, caso contrário, perde a qualidade do que se quer atingir. No nosso caso, a apreensão do conhecimento para fazer uso dele diariamente.

Deixe um comentário