Não devemos gastar todo nosso tempo tentando oferecer a experiência perfeita. Essa é a conclusão de Donald Norman (2009) após analisar várias experiências que tiveram momentos ruins, mas são lembradas como prazerosas e, na maioria das vezes, com um desejo de repetição, porque foram, de uma forma geral, boas experiências. Norman cita, por exemplo, o relato de uma mulher que gostaria de voltar à Tailândia, mesmo sabendo que insetos fritos são uma iguaria por lá, existem aranhas anabolizadas a cada esquina e os banheiros são intimidantes.
Mas isso não é novidade. A conclusão de Norman (2009), como ele mesmo explica, já era apontada por Terence Mitchell e Leigh Thompson como o terceiro dos seguintes aspectos das experiências:
- As pessoas tendem a imaginar que os eventos serão mais favoráveis e positivos do que acham que são no momento da sua ocorrência;
- As pessoas tendem a minimizar o prazer dos eventos no momento em que acontecem;
- As pessoas tendem a lembrar dos eventos como mais favoráveis e positivos do que achavam no momento em que eles aconteciam.
A explicação para isso vem da psicologia: os fatos negativos são esquecidos mais rapidamente que os fatos positivos (NORMAN, 2009). Além disso, Norman lembra alguns eventos negativos podem até adquirir uma conotação positiva, quando vistos de outra forma. Por exemplo, uma experiência ruim pode se tornar uma história cômica a ser contada para o resto da vida.
A conclusão dele? Projete para a memória. Faça com que o início e o fim da experiência (lembrados mais facilmente que o meio) sejam perfeitos. Use gatilhos de memória como fotos e souvenirs. Reforce o positivo para ofuscar o negativo.
REFERÊNCIA:
NORMAN, Donald A. Memory is more important than actuality. Interactions, v.16, n.2, p.24-26, mar./abr. 2009.
4 respostas até agora ↓
1 Naidma - 22/03/2009 às 10:36 pm
Direitor, adorei o texto! É uma leitura de incentivo confortante e que muito ensina.
2 Josiely - 9/08/2009 às 3:25 pm
REFORÇE O POSITIVO PARA OFUSCAR O NEGATIVO..
concordo plenamente…
3 JULIANA - 23/09/2009 às 10:54 am
Professor,
Já havia lido esse seu texto antes e ele dava a possibilidade de se acessar o artigo em inglês, será que você poderia me passar esse link? Tenho trabalhado com turismo de experiências e esse artigo vem bem a calhar nas minhas pesquisas. Agradeço pela sua generosidade em compartilhar com todos na web suas considerações e pesquisas. Parabéns pelo blog.
abs,
juliana
4 Marcos Kutova - 28/09/2009 às 10:42 am
Juliana, o endereço é: http://interactions.acm.org/content/?p=1226
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