Ensinar a pensar

O ser humano se diferencia das demais espécies por ser capaz de pensar. Pensar é usar a capacidade cognitiva para resolver problemas, combinar conhecimentos, planejar. Pensar é, de uma forma geral, qualquer trabalho mental que exija algum esforço.

Pensar, no entanto, é uma tarefa complexa. Se pensar fosse apenas realizar cálculos ou executar qualquer tarefa repetitiva, os computadores já teriam nos superado essa nossa capacidade há muito tempo. Pensar envolve criatividade, envolve incerteza, envolve seguir caminhos não previstos.

Pensar, porém, é lento e cansativo¹. Geralmente as pessoas preferem fazer as coisas mais rapidamente, sem muita reflexão. Pensar exige atenção e, portanto, a suspensão de quaisquer outras atividades. Pensar nem sempre leva a uma resposta correta – eventualmente, nem mesmo a uma resposta qualquer. Geralmente, as pessoas preferem recorrer à memória e às experiências passadas do que realizar todo esse esforço sem a garantia da resposta certa.

Mas, felizmente, o ser humano é naturalmente curioso. As pessoas gostam de descobrir coisas novas. Também gostam de resolver problemas e sentem prazer quando alcançam a solução. O desafio, portanto, é fazê-las superar a preguiça e o raciocínio superficial. Por exemplo, ao resolver palavras cruzadas, é comum que as pessoas prefiram dar uma olhadinha nas folhas de respostas ao se depararem com um termo desconhecido ao invés de tentar encontrar a solução por meio do raciocínio (o que, certamente, levaria mais tempo e, talvez, a uma resposta errada).

Um problema complexo demais leva às pessoas a abandoná-lo – gera ansiedade. Entretanto, um problema fácil demais é igualmente pouco atraente – leva ao tédio. Deve haver um equilíbrio entre a complexidade do problema a ser resolvido e as habilidades da pessoa que se propõe a resolvê-lo². Um problema mais fácil, assim, não é a solução para o desafio de levar as pessoas a pensar. A solução está em tornar o pensar mais fácil¹.

Em uma sala de aula, tornar o pensar mais fácil significa:

  • Elaborar problemas para serem resolvidos pelos alunos que sejam interessantes e relevantes;
  • Planejar os momentos de propor esses problemas aos alunos, mantendo a sintonia com o conteúdo transmitido;
  • Oferecer feedback contínuo aos alunos sobre os seus progressos;
  • Respeitar os limites cognitivos dos alunos e seus diferentes níveis de preparo.

Um conteúdo, por si só, pode ser atraente, mas não é suficiente para prender a atenção dos alunos e estimulá-los a pensar¹.


Referências:

  1. WILLINGHAM, Daniel T. Por que os alunos não gostam da escola? Porto Alegre: Artmed, 2011.
  2. CSIKSZENTMIHALYI, Mihaly. Flow: The psychology of optimal experience. New York: Harper & Row, 1990.

 

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