Mentalidade de crescimento

Um desafio para os professores que estão mudando suas disciplinas para um formato mais moderno, em que o foco está na aprendizagem do aluno e não na sua preparação de aulas, é entender como os alunos lidam com problemas difíceis.

Muitas vezes, de forma quase inconsciente, classificamos nossos alunos em dois grupos: o grupo dos alunos inteligentes e o grupo dos alunos fracos. Aqueles que conseguem resolver os nossos desafios e tirar notas altas nas provas estão no primeiro grupo. Os que não entendem o que fazer ou apresentam soluções equivocadas, acabam no segundo grupo.

O problema dessa classificação é que, aos poucos, damos mais atenção àqueles que consideramos mais aptos deixando os demais em segundo plano. Infelizmente, isso pode acabar reforçando a própria percepção desses alunos restantes de que eles realmente não são tão bons.

O que está em cena aqui, de acordo com a professora de psicologia Carol Dweck, é a crença de que as qualidades das pessoas são inatas, isto é, que eles já nascem com ela. Essa crença é chamada por ela de mentalidade fixa¹.

A crença oposta, que ela chama de mentalidade de crescimento¹, é a crença de que as qualidades básicas de uma pessoa podem ser desenvolvidas por meio do esforço. Mesmo que as pessoas sejam inicialmente diferentes – tanto em relação a aptidões quanto a interesses -, qualquer um pode mudar e crescer através do esforço e da experiência.

É claro que há muitos músicos, pintores, atletas, bailarinas, gestores e outros tantos profissionais que desafiam essa crença e se apresentam como gênios: pessoas que possuem habilidades muito acima da média. A mentalidade de crescimento, porém, não nega a existência desses gênios, mas afirma que, sem um desenvolvimento contínuo, essas pessoas dificilmente se manteriam acima da média.

Um aluno com mentalidade fixa é um aluno que está apenas interessado nas tarefas que reforçam as suas habilidades. Se percebem que há algum risco de não terem sucesso na tarefa, buscam fugir dela seja por meio da ausência em sala, por meio da mudança comportamental (ex.: fazendo piadas ou ironias em sala) ou por meio do confronto com o professor. Já um aluno com mentalidade de crescimento está mais interessado nas informações que o permitem ganhar experiência. Para ele, a aprendizagem é uma prioridade e falhar é apenas uma forma de aprender.

Como professores, devemos buscar identificar e promover uma mudança de comportamento naqueles alunos que possuem a mentalidade fixa. Obviamente, é um trabalho bem mais complexo do que preparar uma aula, mas é exatamente isso que significa uma aprendizagem com o foco no aluno.

Só é importante considerar que os professores também devem ter uma mentalidade de crescimento. Enquanto um professor com a mentalidade fixa cria uma atmosfera de julgamento e se coloca como um especialista na sua área de conhecimento, um professor com  mentalidade de crescimento é alguém mais apaixonado pelo processo de aprendizagem (e pelos alunos) do que pelas matérias que ensina.


Referências:

  1. DWECK, Carol S. Mindset: Changing The Way You think To Fulfil Your Potential. Londres: Constable & Robinson, 2012.

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